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O apóstolo Pedro exorta:
"Santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações, estando sempre
preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança, que
há em vós" (1 Pe 3.15). É isto que a Igreja Luterana procura fazer com
suas Confissões.
As confissões luteranas podem
também ser consideradas como estandarte, em torno do qual os luteranos podem
cerrar fileiras em sua defesa das doutrinas da Escritura contra o erro, ou podem
ser consideradas como uma bandeira, à qual os mestres da igreja prestam
juramento de fidelidade. Cada membro da Igreja Luterana deve subscrever não
apenas a Bíblia, mas também as confissões como exposição correta das
doutrinas bíblicas. Para o leigo isto significa, ao menos, o Catecismo Menor de
Lutero; para o pastor e professor significa todas as confissões adotadas pela
Igreja Luterana.
Em suas constituições, os
grupos luteranos – congregações bem como sínodos – geralmente definem sua
posição doutrinária mais ou menos nestas palavras: "Confessamos que os
livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento são a palavra de Deus
inspirada e, portanto, a única regra de fé e vida, e que as confissões da
Igreja Evangélica Luterana são uma exposição correta das doutrinas desta
palavra". Por que esta firme insistência na fidelidade às Sagradas
Escrituras e à doutrina bíblicas como resumidas nas confissões luteranas?
Porque para luteranos verdadeiros não pode haver nada mais importante do que as
verdades.
Em vista do precedente, o termo
"igreja" jamais deveria ser empregado para definir um grupo religioso
que não pertence ao Senhor como seu corpo (Ef. 1.22,23). Um grupo religioso que
nega a divindade de Jesus Cristo, como o dos unitários, mórmons ou testemunhas
de Jeová, não deveria ser chamado igreja.
Escreve Lutero nos Artigos
de Esmalcalde: "Graças a Deus, (hoje) um criança de sete anos de
idade sabe o que é a igreja, a saber, os santos crentes e cordeiros que escutam
a voz do seu Pastor" (parte III, art. XII, cf. Livro de Concórdia,
p. 338). Em seu Catecismo Maior, ele apresenta essa definição
clássica: "Eu creio que há sobre a terra um pequeno grupo santo e
congregação de santos puros sob uma cabeça, Cristo, chamados pelo Espírito
Santo para uma fé, uma mente e uma compreensão, com dons multiformes,
entretanto concordando em amor, sem seitas nem cismas. Também faço parte do
mesmo, sendo participante e co-proprietário de todos os bens que possui,
trazido a ele e incorporado nele pelo Espírito Santo pelo ouvir e pelo
continuar a ouvir a palavra de Deus, que é o processo de iniciação nele.
Pois, anteriormente, antes de termos alcançado isto, pertencíamos ao diabo,
nada sabendo de Deus e de Cristo. Assim, até o último dia, o Espírito Santo
permanece com a santa congregação, ou cristandade, por intermédio da qual ele
nos traz a Cristo, e é ela que o Espírito Santo utiliza para nos ensinara a
pregar a palavra; pela igreja ele age e promove a santificação, fazendo-a
crescer diariamente e fortalecendo-a na fé e nos frutos que ele faz
produzir". (O Credo. Art. III, cf. Livro de Concórdia, p. 454).
A Confissão de Ausburgo
A Confissão de Ausburgo é o
notável documento que Felipe Melanchton escreveu e que foi apresentado, como
sendo o testemunho luterano , ao Imperador Carlos V e à Dieta do Santo Império
Romano, a 25 de junho de 1530. Compõe-se d vinte e oito artigos. Destes, os
primeiros vinte e um apresentam a doutrina luterana e sintetizam os ensinamentos
de Lutero. Eles provam que os luteranos não estavam ensinando novas doutrinas,
contrárias às Escrituras Sagradas, e que não constituíram uma nova seita
religiosa. Os Artigos XXI a XXVIII tratam dos abusos medievais que os luteranos
tinham corrigido.
Sua leitura causou profunda
impressão, não apenas nos luteranos mas também em muitos de seus opositores.
O bispo Stadion de Ausburgo afirmou: "O que foi lido é a pura verdade, e
nós não podemos negá-lo". Quando João Eck, um dos mais ativos
adversários de Lutero, disse ao duque Guilherme da Bavária que ele era capaz
de refutar a Confissão de Ausburgo com os pais eclesiáticos, mas não
com as Sagradas Escrituras, Guilherme respondeu: "Assim, pois, ouço que os
luteranos estão com a Escritura e nós, que seguimos o pontífice, fora
dela".
Os credos ecumênicos
Em reposta à acusação de que
a Igreja Luterana se desviou da antiga fé da Igreja Cristã e é, por isso, uma
nova seita, os pais luteranos oficialmente declararam sua concordância total
com os credos ecumênicos. No prefácio da Fórmula de Concórdia
declararam: "E porque imediatamente depois do tempo dos apóstolos e mesmo
enquanto eles ainda viviam, falsos mestres e hereges se levantaram, símbolos,
isto é, confissões breves e concisas, foram compostos contra eles na igreja
primitiva, que foram considerados como a unânime, universal fé cristã e a
confissão da igreja ortodoxa e verdadeira, a saber, o Credo Apostólico, o
Credo Niceno, e o Creedo Atanasiano; juramos fidelidade a eles, e deste modo
rejeitamos todas as heresias e doutrinas, que, contrárias a eles, têm sido
introduzidas na igreja de Deus".
Conheça os Credos Ecumênicos
Por este motivo era de se
esperar que estes fossem incluídos no Livro de Concórdia. Isso estava
de pleno acordo com o Artigo I da Confissão de Ausburgo, no qual os
luteranos professavam sua adesão ao Credo Niceno com estas palavras: Ensinamos
e cremos, em primeiro lugar, unicamente, de acordo com o concílio de Nicéia,
que há um único ente divino, que é chamado e de fato é Deus".
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Capa do Catecismo Menor de Lutero,
impresso em 1536
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