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Retornando à vida...
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Retornando à vida...


Queridas irmãs em Cristo!

Enquanto estávamos vivendo o ano de 2020, fomos privados e limitados em muitas coisas que consideramos fundamentais em nossas vidas; restrições na liberdade de ir e vir, visitar pessoas queridas, o abraço que fez e faz falta. Por causa do que aconteceu, muitos alimentaram o sentimento de querer apagar 2020, como se não tivesse existido, como se tivesse sido apenas um lapso temporal. Como se só estivéssemos dormindo, num pesadelo, e pudéssemos acordar quando tudo tivesse passado, como se dissessem: “Esse ano não conta, quero acordar, voltar ao normal, voltar a viver!”

Ao longo de 2020 nos acostumamos com a frase: “Este é o novo normal”. É preciso dizer que o normal, para muitos, é a correria desenfreada do dia a dia, o consumo das coisas que dão prazer e correr atrás dos seus objetivos sem que ninguém ou nada lhe atrapalhe o caminho. Já o “novo normal” é um obstáculo, um impedimento, uma chatice de regras que nos policiam a viver de outra forma, com mais cuidado; para muitos, um empecilho aos objetivos. É como muitos que saem de carro e se comportam e se sentem em seu egoísmo da seguinte forma: Como eu não tenho uma rodovia só para mim?! Tenho que conviver com outras pessoas, tenho que respeitar regras de trânsito que me impedem de viver loucamente e de colocar a minha vida e a dos outros em risco, como essas outras pessoas ousam me atrapalhar?!”. Desculpem a ironia, mas somos assim, avessos a regras, e o novo normal nos disciplina a um novo jeito de viver, com mais cuidado conosco e com o outro. Por isso o anseio de “voltar a viver” significa voltar ao antigo normal, pois o “ego” não satisfeito mostra o seu pior lado, revoltado, quer ser idolatrado e servido. Pequenos deuses não atendidos se revoltam e anseiam por “viver”. Como filhos e filhas de Deus, precisamos lembrar um refrão e um chavão em nosso meio – “Estamos no mundo, mas dele não somos” (Jo 15, em HL – 389,1).

Já estivemos mortos, mortos em nossos delitos e pecados, mas o nosso normal é que fomos alvo do amor, da graça e da misericórdia do nosso Senhor. O nosso normal é que fomos chamados por Deus para a fé, e pela fé completamente justificados de nossos pecados, e diante de Deus, perdoados (Rm 5). O nosso normal é que somos animados pelo Espírito Santo para que andemos em novidade de vida (Rm 6). O normal é que não vivemos mais para nós mesmos, mas para servir a Deus e ao nosso próximo (Mt 22). O normal é a loucura da cruz, o normal é que aprendemos, a exemplo do apóstolo Paulo, a viver contentes em toda e qualquer situação, tendo muito ou tendo pouco, sempre na dependência do Senhor (Fp 4). O normal é o amor, é nele que vivemos. Por isso, é lógico que não podemos concordar que deixamos de viver, pois nossa vida está em Cristo, onde o morrer, na verdade, é lucro (Fp 1).

O normal do mundo já não era o nosso normal, e se o “novo normal” significa um cuidado maior com a minha vida e com a vida do meu semelhante, o “próximo” por quem Jesus morreu, o “próximo” que foi comprado pelo sangue de Cristo, amém! Que assim seja! Que a nossa fé seja ativa no amor (Gl 5). Que pela graça de Deus, esse seja o nosso normal.

Pastor Rubens José Ogg
Conselheiro Nacional da LSLB 2020-2022

Texto publicado na Revista Servas do Senhor, edição 240 (janeiro/fevereiro/março 2021)

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