Viver bastante tempo? Para quê?


Ler em formato flip
16/11/2020 #Artigos #Editora Concórdia

“Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo.”

Viver bastante tempo? Para quê?

No mês passado saiu a notícia que o teto para a vida humana não vai passar dos cento e quinze anos, apesar dos avanços da medicina. “É possível que alguém possa viver um pouco mais, mas a chance de chegar aos cento e vinte e cinco anos é menor que uma em dez mil”, diz um geneticista molecular e líder do estudo publicado na revista científica Nature, dos Estados Unidos. “Apesar dos ganhos na expectativa de vida, há um limite além do qual a vida útil máxima dos humanos não pode ser estendida”, explica.

É uma notícia boa para o Ministério da Previdência Social que não sabe mais como pagar as contas e precisa urgentemente de uma reforma. A expectativa de vida aumentou, e no futuro vai ter mais gente aposentada do que trabalhando se as regras da aposentadoria não forem mudadas. Em todo o caso, que o tempo de vida aqui embaixo tem limite, isto já foi dito pelo Criador: “De agora em diante eles não viverão mais do que cento e vinte anos” (Gênesis 6.3). Antes disso, segundo o relato bíblico, as pessoas viviam muito tempo, e quem bateu recorde foi Matusalém com seus novecentos e sessenta e nove anos de idade. Imaginem como seria a vida hoje se Deus não tivesse colocado um limite? Poderíamos convidar o próprio Lutero para festejar os quinhentos anos da Reforma. E as nossas reuniões de família? Não ia ter comida suficiente para tanta gente na hora do almoço. Sem dúvida, Deus é muito sábio.

E foi pensando nas coisas práticas neste mundo cheio de obstáculos, que outro autor da pesquisa citada disse algo que interessa a todos: “A esperança para a nossa espécie não é de estender apenas a expectativa de vida, mas avançar nos estudos que prolonguem a vida de maneira mais saudável”. O que ele diz é um desejo de todos, pois qual a graça em viver bastante tempo, mas infeliz, com problemas graves de saúde, gastando todo o dinheirinho com remédios? Moisés, que chegou até aos cento e vinte anos sentiu na pele, no coração e nas articulações as dores da idade, e por isso resmungou:  “Só vivemos uns setenta anos, e os mais fortes chegam aos oitenta, mas esses anos só trazem canseiras e aflições” (Salmo 90.10).

Viver até os cem anos é coisa para poucos, e viver bem e com boa saúde depois dos setenta, isso é um presente dos céus. A medicina tem nos ajudado muito nos últimos anos e enriquecido a indústria dos remédios. Viver hoje custa caro, mas é o preço que vale a pena pagar. Mesmo assim, nada adianta vida longa e com qualidade, se a nossa esperança fica por aí mesmo. Conheço muitas pessoas idosas e vejo a diferença da fé cristã para a expectativa além desta vida. Aliás, a Bíblia afirma que “Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo” (1Coríntios 15.19). No tempo em que a Bíblia foi escrita, a média de vida não passava dos trinta, e, mesmo hoje, quando ela chega aos setenta, a vida continua sendo um sopro e tudo passa depressa. Viver bastante tempo e ser feliz é o que todos queremos, mas, viver para sempre e ser feliz plenamente, quem não deseja? A certeza do idoso no Salmo 71, que Deus o livrará da sepultura (v.20), pode estar no coração de todos, basta acreditar naquele que disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11.25).

Agora, sendo bem sincero, deveríamos nos preocupar mesmo não com a quantidade e qualidade da vida aqui em baixo, mas com a finalidade do nosso tempo neste mundo. Se os dias passam tão depressa, como aproveitá-los? Fiz a pergunta na internet e encontrei “365 possibilidades para aproveitar melhor a vida — viagem, esporte, música, gastronomia e mais centenas de experiências inusitadas para aproveitar cada segundo”. Cada segundo? Parece que este é o nosso problema, querer aproveitar o máximo de tudo e não ter tempo ao que interessa. Salomão também perguntou “que adianta um homem viver muitos anos [...] se não aproveitar as coisas boas da vida?” (Eclesiastes 6.3). E, no final, encontrou a resposta: “Tudo é ilusão”. Seria a pior decepção se a ilusão fosse o final da história. Ao chamar Deus de “único Pastor de todos nós” (12.11), o rei mais sábio e rico do mundo deu uma dica valiosa para todos nós, crianças, jovens e velhos: o teto da nossa vida está nas mãos de Jesus.

Marcos Schmidt

Pastor da IELB marcos.ielb@gmail.com

Notícias Leia mais


Assine o Mensageiro Luterano e
tenha acesso online ou receba a
nossa revista impressa

Ver planos