O primeiro Natal e o Natal de 2020


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22/12/2020 #Meditação #Editora Concórdia

Como será o Natal de 2020?

O primeiro Natal e o Natal de 2020

Como será o Natal 2020? Essa pergunta foi feita nas famílias que costumam se encontrar nessa data, nas igrejas que organizam programações especiais, nos shoppings que fazem do Natal o maior evento de vendas do ano.

Como será o Natal 2020? Esse tempo de pandemia revirou a rotina do mundo, mudou costumes, alterou programações e revisou valores. Um vírus invisível mostrou que posição social, dinheiro, bens não têm o valor que lhes eram dados. Fomos desafiados a dar mais valor às pessoas do que às coisas, invertendo a grande tentação dos natais que é valorizar mais as coisas do que as pessoas, transformando o Natal numa festa de solidão, saudade e depressão. 

Como será o Natal 2020? Poderá ser uma festa inesquecível se prestarmos mais atenção ao mensageiro do primeiro Natal: “Não tenham medo! Estou aqui para lhes trazer boa-nova de grande alegria, que será para todo o povo: é que hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11).

 

Aglomeração

 

          Como foi o primeiro Natal? Ele foi marcado por aglomerações em todo o Império Romano provocadas por um decreto governamental que obrigava a população a um recenseamento no seu local de origem. O evangelista Lucas registra alguns detalhes: “Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do Império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade” (Lc 2.1-3).  Lucas não conseguiu precisar a data desse decreto, e esta falta de informação provocou longas discussões a ponto de não se saber com exatidão a data do nascimento de Jesus, festejada no mundo ocidental em 25 de dezembro.

A aglomeração que esse decreto provocou fez-se cumprir uma profecia há muito registrada (Mq 5.2), de que o Messias nasceria na cidade de Davi. Lucas continua sua narrativa: “José também saiu da Galileia, da cidade de Nazaré, e foi para a Judeia, até a cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida” (Lc 2.4,5). E assim, depois do desconforto de uma viagem de 156 quilômetros no lombo de um burro para uma mulher com gravidez avançada, esse casal não encontra lugar para descanso.

 

Isolamento

 

Como foi o primeiro Natal? Lucas registra assim: “Então Maria deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou o menino e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2.7).  O jeito foi o isolamento social. Ali, distante da multidão, no silêncio da noite, na companhia de alguns animais, nasceu uma criança há muito prometida: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Is 7.14). O “Verbo que era Deus” (Jo 1.1), no útero de Maria, se torna uma criança recebendo um corpo como o de Adão e, assim, nossa carne e ossos são colocados sobre ele.  “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14).

Em algum campo nas cercanias de Belém, isolados socialmente, alguns pastores que cuidavam de seus rebanhos ouviram algo extraordinário quando o silêncio da noite foi quebrado pela voz do anjo que anunciou a boa notícia da salvação: “É que hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Ainda ecoava o cântico dos anjos quando esses pastores resolveram conferir a veracidade dessa informação. Eles encontraram Maria, José e o menino Jesus numa manjedoura e “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado” (Lc 2.20).

Os magos do Oriente, que vieram de longe (certamente alguns dias depois) para o primeiro Natal, também encontraram a família natalina em isolamento. Ninguém sabia informar o que perguntavam: “Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo” (Mt 2.2). Foi preciso a estrela luminosa aparecer novamente para encontrarem o menino Jesus. “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.11).

Todas as cenas do primeiro Natal são marcadas por certo isolamento, quebrado apenas pela chegada de visitantes que queriam conhecer o Menino. José e Maria, com a vinda do novo componente familiar, se veem envolvidos por um mistério que ia muito além de sua percepção e inspirava Maria a guardar essas palavras, meditando-as no coração (Lc 2.19).

 

Mantenha o distanciamento

 

         Como será o Natal 2020?  Memorizamos, nesses tempos de pandemia, as principais orientações das equipes de saúde: lave bem as mãos, use máscara, evite aglomeração! Mas como festejar o Natal sem aglomeração se o primeiro comercial que recebi para este Natal diz: “Nesse Natal, o melhor presente é estarmos juntos”?

 Imagino que esse desafio poderá transformar o Natal 2020 numa celebração inesquecível, mesmo que seja necessário manter o distanciamento social. Se não for possível a realização dos tradicionais programas de Natal, que costumam encher as igrejas com a participação dos que vão só nessa data, a tecnologia nos permite elaborar cultos e programas on-line para celebrar o Natal na intimidade da família, sem aquela agitação marcada por tarefas e correrias intermináveis que, no final, só trazem o estresse e a canseira.  

Li em algum lugar uma frase parecida com esta: “Faz tanto tempo que aconteceu o primeiro Natal que nem parece mais verdade”. Foi uma expressão que mexeu com meus sentimentos e me reportou para os programas de Natal da minha infância, onde a história do primeiro Natal era revivida. Lutero disse que a Bíblia é o berço onde dorme o menino Jesus. Nas histórias bíblicas, que aprendemos desde crianças, encontramos o Salvador que se fez homem e veio ao mundo para nele termos perdão, vida e salvação.

Portanto, a notícia do anjo dada aos pastores de Belém é também para nós. Em Jesus, Criador e criatura estão juntos numa só pessoa para nos salvar. Recontar essa história do amor de Deus e refletir sobre o seu significado traz sentido não só para a festa do Natal, mas para a nossa vida de fé e esperança, como presentes que não se compram nos shoppings e nem se conseguem com a própria força. São dados pela ação do Espírito Santo e tomam conta do nosso coração.

O Natal é a história do amor de Deus. É esse amor que torna as pessoas mais solidárias e sensíveis, pois quando Deus se enrola em panos por nossa causa, é porque ele nos quer junto de si. Recontar essa história na intimidade familiar e no distanciamento social exigido pelo momento, pode revigorar nossa esperança e fazer do nosso Natal 2020 uma celebração inesquecível. Por isso, hoje e sempre: FELIZ NATAL!

 

Edgar Lemke

Pastor na Comunidade da Cruz

Porto Alegre, RS

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