Graciosa mulher sem nome


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07/05/2021 #Reflexão #Editora Concórdia

Quando uma mulher deixa de ser chamada pelo seu nome, algo especial acontece

Graciosa mulher sem nome

           Há algum tempo, assisti a um daqueles vídeos que viralizam pelas redes sociais. O vídeo mostrava uma pequena filha, imagino que pelos seus 4 ou 5 anos, surpresa ao descobrir que sua mãe não se chamava “mãe”, mas que ela tinha um nome próprio. Diante daquela cena meiga e engraçada, a mãe se deliciava com a reação da filha. “Então quer dizer que seu nome não é mãe? Como assim?” – questionava a inocente filha.

          Chamar alguém pelo nome é sinal de intimidade, é estabelecer uma relação com alguém. Todos gostam de ser chamados pelo nome. Mas quando uma mulher deixa de ser chamada pelo seu nome, algo especial acontece. Deus está agindo através de suas máscaras para cuidar da sua criação mais especial. Quando a Maria, a Iracema, a Márcia e a Eliane não são mais chamadas por esses nomes, mas de “mãe”, o Senhor está agindo através dessa graciosa vocação que é celebrada neste mês de maio.

          É confortador observar a vida sob este olhar das vocações. É possível olhar para nossas histórias de filhos e perceber que o Senhor nos cuidou através daquela mulher que dificilmente chamamos pelo nome. Não era apenas aquela mulher, mas o próprio Deus que agia por detrás da máscara de mãe para assoprar nosso joelho esfolado, nos cuidar nas noites de febre, fazer nossa comida favorita, nos oferecer colo nos dias de pesadelo, nos chamar para comer as sobras de brigadeiro na panela. Sim, Deus nos cuidou e nos preparou para a vida através daquela graciosa mulher sem nome, chamada simplesmente de mãe.

          Essas mães também precisam de colo. Essas mulheres também têm suas dúvidas, dores, ansiedades e culpas. Mães não são perfeitas e nem conseguirão ser. Também por elas Jesus foi à cruz e, com seu precioso sangue, pagou todas as culpas de mãe, inclusive as culpas por não ter passado tempo com os filhos, não ter aconselhado corretamente, ter descarregado sobre os filhos os estresses da vida, ter sido falha no ensinar e viver a fé cristã. Mães precisam do colo de Jesus. Nele está o perdão que reestabelece todo e qualquer relacionamento, e, somente com esse perdão, uma mulher pode ser uma mãe digna aos olhos do Senhor.

          No colo de Jesus há espaço para todos. Mas, de uma forma bem especial, é preciso lembrar que também há espaço no colo de Jesus para aquelas mulheres que sonham em um dia se tornarem mães. Por motivos diversos, quem sabe algumas delas não conseguirão realizar esse sonho. E para essas mulheres, há um lugar bem especial no colo de Jesus. Tão especial quanto o lugar que Jesus tem no seu colo para os filhos que sentem saudade de suas mãezinhas, já consoladas na vida eterna. No confortador colo de Jesus há espaço para todos.

          Queridas mães, cumpram a vocação que o Senhor lhes deu, mesmo que os filhos já nem caibam mais no seu colo ou que eles já lhes tenham dado netos. Não permitam que as correrias do trabalho ou que as ansiedades da vida lhes tirem o foco dessa vocação formidável. Façam de tudo para que um dia, diante do Senhor, estejam com seus filhos na vida eterna e vocês possam dizer: “Aqui estão, Senhor, os filhos que me deste para cuidar, amar e educar na fé cristã”. Aliás, o próprio consolo da vida eterna é comparado com o amor de mãe: “Assim como uma mãe consola seu filho, também eu os consolarei; em Jerusalém vocês serão consolados” (Isaías 66.13).

Bruno Krüger Serves

Pastor em Candelária, RS

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